No fim de janeiro de 2026, os Estados Unidos foram atingidos por uma tempestade de inverno de proporções extraordinárias, considerada uma das mais severas em décadas. O fenômeno, que se formou nos primeiros dias do mês e se intensificou entre os dias 22 e 26, cobriu uma vasta faixa do território norte-americano com neve, gelo e temperaturas perigosamente baixas, criando condições climáticas extremas e inéditas em muitas regiões.
O impacto foi profundo: dezenas de pessoas morreram em decorrência das condições, milhões foram afetadas por apagões, infraestruturas críticas foram comprometidas e milhares de voos foram cancelados, provocando uma onda de caos social e econômico em cidades que, em muitos casos, não estavam preparadas para enfrentar um fenômeno dessa magnitude.
Como a tempestade se formou e por que foi tão intensa
A tempestade de inverno começou a se desenvolver no final da terceira semana do mês, quando um sistema meteorológico de grande escala encontrou um ar frio e denso originário do Ártico em movimento para o sul, criando condições favoráveis para um evento de neve e gelo que se estenderia por milhares de quilômetros.
Os meteorologistas descreveram o sistema como uma das maiores tempestades da temporada, abrangendo desde estados do sul profundo, muitas vezes pouco preparados para neve, até as regiões norte e nordeste, onde fortes nevascas são mais comuns. O fenômeno também passou a ser chamado de Winter Storm Fern por serviços meteorológicos especializados, devido à sua extensão e intensidade.
O alcance territorial da tempestade foi excepcional, afetando partes do sul dos Estados Unidos, o Centro-Oeste, a Costa Leste e o nordeste do país, além de se estender em algumas áreas até o Canadá. Em muitas localidades, o acúmulo de neve superou 30 a 40 centímetros em poucos dias, com marcas ainda maiores em certas regiões montanhosas e planaltos.
Impactos humanos e econômicos da tempestade
Mortes causadas pela tempestade
A tempestade deixou um balanço trágico em vidas humanas. Segundo as últimas atualizações das autoridades meteorológicas e de segurança pública, pelo menos 30 a 50 pessoas morreram em decorrência do inverno severo, com causas relacionadas ao frio extremo, acidentes de trânsito, quedas em superfícies escorregadias, hipotermia e outros incidentes ligadas diretamente às condições climáticas adversas.
O número de vítimas continuou a subir à medida que as equipes de emergência alcançavam áreas isoladas pelos efeitos da neve pesada e do gelo. Foram registrados casos de pessoas encontradas congeladas ao ar livre, acidentes envolvendo veículos perdidos em estradas cobertas de neve, e situações de hipotermia em cidades tanto do Norte quanto do Sul do país, regiões que, normalmente, experimentam temperaturas mais amenas nessa época do ano.
Apagões e infraestrutura sob pressão
Um dos efeitos mais visíveis da tempestade foi a interrupção de energia em grande escala. Com o peso da neve e do gelo sobre as linhas de transmissão, árvores caídas e equipamentos climatizados que falharam sob a carga extrema do frio, mais de um milhão de residências e estabelecimentos ficaram sem eletricidade em vários estados, especialmente no Sudeste e Sul do país.
Para milhões de famílias, a falta de energia significou a perda de aquecimento em casa, dificuldade de cozinhar alimentos, interrupção do acesso à internet e telefone, e desafios adicionais para idosos, crianças pequenas e pessoas com condições de saúde que dependem de equipamentos elétricos. Muitas comunidades tiveram que recorrer a centros públicos de aquecimento criados por governos locais ou pela Cruz Vermelha para abrigar pessoas vulneráveis.
Transporte paralisado e voos cancelados
O transporte aéreo também foi severamente afetado. No pico da tempestade, mais de 10 mil voos foram cancelados ou adiados, um número que se aproximou dos maiores índices de interrupção desde os impactos da pandemia de covid-19. Aeroportos em centros como Dallas-Fort Worth, Nova York e Washington, D.C. registraram cancelamentos em massa, atrasos e cancelamentos de voos ao longo de vários dias.
No chão, estradas transformaram-se em pistas traiçoeiras de gelo e neve compactada, levando autoridades estaduais a emitir ordens de estadia em casa e proibir viagens não essenciais, como forma de reduzir o número de acidentes e permitir que equipes de limpeza e manutenção trabalhassem com mais segurança.
Escolas, serviços públicos e economia
A tempestade provocou o fechamento de escolas por vários dias, com muitas instituições migrando para o ensino remoto enquanto as equipes trabalhavam para restabelecer serviços essenciais. A paralisação de trabalhos presenciais também afetou setores produtivos importantes, desde comércio até serviços públicos, aumentando a pressão sobre as economias locais.
Economistas e especialistas em clima apontaram que esse tipo de evento extremo tende a causar prejuízos significativos não apenas imediatos, mas também em termos de produtividade e custos de reconstrução, desde obras de infraestrutura danificada até gastos com aquecimento emergencial para famílias e empresas.
Quão excepcional foi esse evento?
Especialistas meteorológicos que analisaram a tempestade chegaram à conclusão de que o fenômeno foi potencialmente histórico em termos de extensão, intensidade e impacto humano. Em alguns estados, o evento deixou acúmulos de neve muito acima da média para a época do ano, quebrando recordes de precipitação e impondo desafios de gestão nunca antes vistos.
Nem todas as áreas dos Estados Unidos estão igualmente equipadas para enfrentar nevascas ou frio intenso. Regiões do sul profundo, como Tennessee, Louisiana ou Mississippi, lidam raramente com grandes tempestades de inverno, e suas infraestruturas elétricas, rodoviárias e de transporte urbano não foram projetadas para enfrentar gelo pesado e termômetros persistentemente abaixo de zero.
Isso torna o evento ainda mais desafiador, porque sistemas pensados para climas moderados sofreram falhas ou sobrecargas. Os serviços de emergência e manutenção se viram forçados a agir em condições extremas e muitas vezes com recursos escassos.

O papel das autoridades e os esforços de resposta
Diante da dimensão do desastre, autoridades federais e estaduais declararam situações de emergência em dezenas de estados e mobilizaram recursos importantes para enfrentar a crise climática. Equipes da Guarda Nacional foram ativadas em vários locais para auxiliar no resgate de motoristas presos em estradas, no transporte de pacientes que necessitavam de atendimento médico e no apoio à distribuição de mantimentos essenciais.
Centros de aquecimento temporário foram abertos para abrigar populações vulneráveis, e serviços de emergência trabalharam 24 horas por dia para restaurar a eletricidade e limpar vias públicas. Embora muitos esforços tenham sido bem-sucedidos, em algumas áreas mais remotas a restauração completa da luz elétrica e serviços essenciais pode levar até vários dias ou semanas devido à extensão do dano nas linhas e postes elétricos.
Causas climáticas e debates sobre mudanças ambientais
Eventos de magnitude climática, como essa tempestade, reacenderam debates sobre as relações entre padrões meteorológicos extremos e mudança climática. Cientistas apontam que, embora um inverno rigoroso seja parte da variabilidade natural do clima, a intensificação de episódios extremos — com grandes acumulações de neve e oscilações de temperatura abruptas — pode ser influenciada por padrões de aquecimento global que alteram, por exemplo, a circulação do ar no Ártico e no hemisfério norte.
Especialistas explicam que clima e tempo são conceitos diferentes: um evento extremo isolado não prova por si só que o mundo está mais quente no longo prazo; porém, quando analisado em conjunto com outras tendências de aquecimento global observadas em séries anuais, ele pode ser consistente com as projeções de cientistas do clima de que eventos climáticos extremos tendem a se tornar mais frequentes e severos em um planeta mais quente.
As consequências para o cotidiano
Para milhões de pessoas nos Estados Unidos, os efeitos da tempestade foram sentidos em aspectos simples do dia a dia: a impossibilidade de sair de casa, a dificuldade de manter o aquecimento, a perda de alimentos e bens perecíveis devido a cortes de energia, o adiamento de consultas e compromissos, e a interrupção de serviços básicos.
Cidades inteiras pararam por dias, escolas fecharam, famílias enfrentaram noites de frio intenso e serviços essenciais trabalharam em regime de emergência contínua. Esse tipo de impacto coletivo é um lembrete de como fenômenos naturais extremos podem testar a resiliência das comunidades e de suas infraestruturas.
Um inverno que ficará na memória
A tempestade de inverno que assolou os Estados Unidos em janeiro de 2026 foi muito mais do que uma simples nevasca. Foi um evento climático de grande escala, com efeitos devastadores sobre a vida de milhões de pessoas, estruturas urbanas e sistemas de transporte e energia.
As dezenas de mortes, os extensos apagões, os cancelamentos de voos e os estragos em rodovias mostraram que, mesmo em países com recursos técnicos avançados, eventos extremos podem causar sofrimento humano e paralisar a rotina com rapidez.
Enquanto as equipes de emergência continuam trabalhando e as comunidades se recuperam, a tempestade permanece como um lembrete da fragilidade humana diante da força da natureza e da importância de planejamento, solidariedade e preparo diante de futuras adversidades climáticas.